
Esta questão foi levantada há uns anos atrás quando Manuel Maria Carrilho no seu livro Sob o Signo da Verdade acusou uma agência de comunicação de renome – Cunha Vaz & Associados – de lhe ter oferecido os seus serviços (estes incluíam a compra de jornalistas, aquando da sua corrida à presidência da Câmara de Lisboa. Com esta acusação surgiram novas questões como: Que papel têm estas empresas que contactam todos os dias com os jornalistas? São "as" novas fontes? Influenciam os jornalistas a ponto de os comprar? Como é feita essa gestão de interesses contraditórios?
Este facto ganhou “corpo” quando Vasco Ribeiro ao realizar a sua tese de mestrado verificou, num estudo que fez a quatro jornais nacionais, que a maioria das notícias publicadas não derivavam dos jornalistas mas sim de agências, assessorias e gabinetes de informação também chamadas de “fontes organizadas de informação”.
Este estudo só “confirma uma perigosa tendência dos órgãos de Comunicação Social para se converterem em «receptores passivos» de informação, abandonando progressivamente a sua vocação de mediadores directos entre as fontes noticiosas e os seus leitores”.
E não é que é mesmo assim. Vejamos o jornalista, hoje em dia, recorre muito a estas agências de informação para obter uma notícia e sabendo isso estas têm evoluído na sua forma de redacção dos comunicados para que estes se assemelhem a notícias ou são mesmo notícias disfarçadas de comunicado, tal como o autor da tese diz “a assessoria de imprensa tem vindo, progressivamente, a apurar as suas técnicas e ferramentas de trabalho".Por isso a maioria dos assessores são ex-jornalistas, quem melhor do que eles para perceber como funciona este mundo? As notícias são criadas de modo a achar “algo adequado para cada jornal ou revista que quer que se publique a história” (in, Lloyd, Herbert; Lloyd, Peter, Relações Públicas – As técnicas de comunicação no desenvolvimento da empresa, 1988, Presença, Lisboa, p. 129).
O problema é que ao contrário da imprensa as agências têm vindo a adaptar-se às alterações nos jornais e fazem-no de forma mais rápida, por isso os jornalistas são um alvo vulnerável a estas artimanhas das “fontes sofisticadas”.
Este estudo só “confirma uma perigosa tendência dos órgãos de Comunicação Social para se converterem em «receptores passivos» de informação, abandonando progressivamente a sua vocação de mediadores directos entre as fontes noticiosas e os seus leitores”.
E não é que é mesmo assim. Vejamos o jornalista, hoje em dia, recorre muito a estas agências de informação para obter uma notícia e sabendo isso estas têm evoluído na sua forma de redacção dos comunicados para que estes se assemelhem a notícias ou são mesmo notícias disfarçadas de comunicado, tal como o autor da tese diz “a assessoria de imprensa tem vindo, progressivamente, a apurar as suas técnicas e ferramentas de trabalho".Por isso a maioria dos assessores são ex-jornalistas, quem melhor do que eles para perceber como funciona este mundo? As notícias são criadas de modo a achar “algo adequado para cada jornal ou revista que quer que se publique a história” (in, Lloyd, Herbert; Lloyd, Peter, Relações Públicas – As técnicas de comunicação no desenvolvimento da empresa, 1988, Presença, Lisboa, p. 129).
O problema é que ao contrário da imprensa as agências têm vindo a adaptar-se às alterações nos jornais e fazem-no de forma mais rápida, por isso os jornalistas são um alvo vulnerável a estas artimanhas das “fontes sofisticadas”.

Ambos têm o mesmo interesse o de publicar uma notícia por isso o jornalista pode ter como fonte de informação um assessor mas “jamais deve assumir como inquestionável o material informativo que recebe das suas mãos (…), a matéria informativa recebida pelo jornalista pode e se calhar deve ser confirmada junto das fontes estranhas ao primeiro «informador»”, in Lampreia,J. Martins, A assessoria de imprensa nas Relações Públicas, 1999, Europa América, Mem Martins, p. 67).
Então está ou não o jornalista nas mãos do assessor?
Se tivermos como certo que a função de um jornalista é um “simples técnico de comunicação, um transmissor de mensagens pretensamente neutro e objectivo, cuja tarefa se reduz à intermediação passiva entre as fontes (dominadas por quem tem o poder de produzir informação) e as audiências, obedecendo aos conteúdos e aos formatos ditados pelo mercado”. Então os cerca de 60% existem porque é essa a função do jornalista.
Mas se pelo contrário o jornalista for visto como um “profissional consciente do seu poder (real e potencial) e disposto a usá-lo bem, que se distingue do mero transmissor de mensagens não porque mistura a opinião com a informação ou se desdobra num protagonismo que o coloca no centro da notícia, mas porque procura seleccionar, enquadrar e apresentar a informação de modo a que esta constitua factor de enriquecimento e de reflexão, entendida como um bem social e não como um produto comercial”. Ao reconhecer e valorizar a responsabilidade a que a profissão lhe exige irá contribuir para que se criem condições capazes de transformar o jornalismo e a informação, assim talvez se consiga alterar esta realidade e o jornalista deixe de estar nas mãos do assessor.
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