terça-feira, abril 17, 2007

Aula 18 – Campanhas Negativas On-line

.
A maior zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Esta possibilita a disseminação de informação e esta deixa de ser restrita aos jornalistas, estes passam a ser apenas uma, entre as muitas, fontes de informação.A internet é o espaço propício para se lançar boatos e destruir reputações, sendo um meio onde é difícil regulamentar o que é publicado e onde o anonimato ganha força. Este sistema, como qualquer outro que seja desregulamentado oferece possibilidades intermináveis. “É claro que ninguém quer que a Internet seja regulada, mas terá de haver um limite de tolerância, após o qual a FEC (Federal Election Commission) terá de agir para impedir um caos desenfreado”.
A internet veio possibilitar o implodir de informação de todo o tipo, “informação em bruto, sem filtragens e censuras”. Os blogs são os lugares mais comuns onde as pessoas postam as suas opiniões e notícias, e este meio está cada vez mais a ganhar adeptos. A 'blogosfera' como é conhecida já não se limita a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava os mesmos interesses.
.
.
Nesta esfera digital, o mais interessante é que nem sempre as campanhas negativas surgem dos adversários políticos estas “tácticas de guerrilha são acções, na sua maioria, de cidadãos comuns”. O público deixa de ser um mero espectador e começa também ele a envolver-se nas estratégias de campanha, dificultando a distinção entre o que faz parte da campanha política de um partido e o que partiu de esforços individuais.
Este tema tem suscitado tantas movimentações que foi elaborada uma pesquisa, A Mídia e a Esfera Pública, para se perceber como “o uso da internet afecta o comportamento de candidatos, eleitores e a cobertura dos média no processo eleitoral” realizada por Clóvis de Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle do Centro de Altos Estudos da ESPM. Concluíram que a rede teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas.
.
.
.
Citação/ Link: “Boatos sempre existiram; só que têm hoje outra força com a Internet - onde cada um diz o que lhe apetece, sem se sujeitar às consequências que teria numa publicação impressa”, Francisco Sarfield Cabral
.
Em Portugal não é excepção, embora por cá só se tenha recorrido às campanhas negativas nestas últimas eleições, a internet também foi palco desta estratégia.
Vejamos o lead da revista Visão de 3 de Fevereiro de 2005 “Cartazes vandalizados, narizes de palhaço, boatos a circular pela Internet. Assim vai a época pré-eleitoral”, notícia de Sónia Sapage. Onde também se pode ler “(…)Perante o ambiente que se apoderou da fase pré-eleitoral, Pacheco Pereira, no seu blogue O Abrupto, comenta: «O que se passou nos últimos dois dias na campanha do PSD por responsabilidade directa de Santana Lopes, as afirmações baixas nos comícios, o cartaz sub-reptício cheio de insinuações sobre quem é que os portugueses conhecem ou desconhecem (...), levantam a suspeição sobre se não haverá uma campanha organizada de boatos que sirva de pano de fundo a esta guinada de campanha negativa tão pouco habitual em Portugal.» ”.

Sem comentários: