A maior zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Esta possibilita a disseminação de informação e esta deixa de ser restrita aos jornalistas, estes passam a ser apenas uma, entre as muitas, fontes de informação.A internet é o espaço propício para se lançar boatos e destruir reputações, sendo um meio onde é difícil regulamentar o que é publicado e onde o anonimato ganha força. Este sistema, como qualquer outro que seja desregulamentado oferece possibilidades intermináveis. “É claro que ninguém quer que a Internet seja regulada, mas terá de haver um limite de tolerância, após o qual a FEC (Federal Election Commission) terá de agir para impedir um caos desenfreado”.
A internet veio possibilitar o implodir de informação de todo o tipo, “informação em bruto, sem filtragens e censuras”. Os blogs são os lugares mais comuns onde as pessoas postam as suas opiniões e notícias, e este meio está cada vez mais a ganhar adeptos. A 'blogosfera' como é conhecida já não se limita a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava os mesmos interesses.
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Nesta esfera digital, o mais interessante é que nem sempre as campanhas negativas surgem dos adversários políticos estas “tácticas de guerrilha são acções, na sua maioria, de cidadãos comuns”. O público deixa de ser um mero espectador e começa também ele a envolver-se nas estratégias de campanha, dificultando a distinção entre o que faz parte da campanha política de um partido e o que partiu de esforços individuais.
Este tema tem suscitado tantas movimentações que foi elaborada uma pesquisa, A Mídia e a Esfera Pública, para se perceber como “o uso da internet afecta o comportamento de candidatos, eleitores e a cobertura dos média no processo eleitoral” realizada por Clóvis de Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle do Centro de Altos Estudos da ESPM. Concluíram que a rede teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas.
Vladimir Safale diz que verificaram que “a rede complementa as notícias dos veículos tradicionais, ao mesmo tempo que permite que os eleitores mais envolvidos com o processo participem activamente na criação, crítica e circulação de notícias que consideram ‘distorcidas’ pelos média tradicional”. Nesse estudo descobriram ainda que “tanto as comunidades quanto o YouTube foram importantes principalmente para a realização de campanhas negativas, nas quais se criticam ou ridicularizam os oponentes”.
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O director do projecto Pew Internet and American Life diz que a Internet "permite às pessoas criar o seu próprio meio de comunicação, o que democratiza a política em relação aos outros media".
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Citação/ Link: “Boatos sempre existiram; só que têm hoje outra força com a Internet - onde cada um diz o que lhe apetece, sem se sujeitar às consequências que teria numa publicação impressa”, Francisco Sarfield Cabral
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Em Portugal não é excepção, embora por cá só se tenha recorrido às campanhas negativas nestas últimas eleições, a internet também foi palco desta estratégia.
Vejamos o lead da revista Visão de 3 de Fevereiro de 2005 “Cartazes vandalizados, narizes de palhaço, boatos a circular pela Internet. Assim vai a época pré-eleitoral”, notícia de Sónia Sapage. Onde também se pode ler “(…)Perante o ambiente que se apoderou da fase pré-eleitoral, Pacheco Pereira, no seu blogue O Abrupto, comenta: «O que se passou nos últimos dois dias na campanha do PSD por responsabilidade directa de Santana Lopes, as afirmações baixas nos comícios, o cartaz sub-reptício cheio de insinuações sobre quem é que os portugueses conhecem ou desconhecem (...), levantam a suspeição sobre se não haverá uma campanha organizada de boatos que sirva de pano de fundo a esta guinada de campanha negativa tão pouco habitual em Portugal.» ”.
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