segunda-feira, abril 30, 2007

Aula 19 – “Spinning Boris”

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Neste filme podemos visualizar várias estratégias de comunicação política, levadas a cabo por um trio de Marketeers americanos (George Gorton, Dick Dresner; Joe Shumate) numa campanha de eleição à presidência onde tudo parecia estar perdido.
Quando os assessores dizem à filha de Boris Yeltsin que “tem de depender de promessas e das falhas de outros candidatos”e que “devia começar a atacar o Zyuganov e apresentar-se como alternativa aos comunistas” demonstram claramente que a estratégia passa pelo recurso à campanha negativa. Exemplos disso são:

1. O uso de “PELOTÕES da VERDADE”.

2. Numa cena, após verem uns ex-combatentes a vender as suas medalhas para sobreviverem, George Gorton ao telefone com o colega diz: “Mas talvez as reformas de Yeltsin sejam boas para o futuro dos filhos deles?” E surge o cartaz com o slogan “Votem no Yeltsin para bem dos vossos filhos”. Esse cartaz é colocado estrategicamente à frente do sítio onde os ex-combatentes estavam.

3. O rumor sobre o facto de Zyuganov querer regressar às antigas fronteiras, à economia estatizada e à perseguição impiedosa aos reformistas. Este boato abalaria a campanha política dos comunistas e por isso Gorton diz: “Os russos são paranóicos (…) e por isso temos que divulgar a coisa como o raio, claro”. Para divulgar este facto escolhem Bill Clinton, que na sua visita, estratégica, aproveitou para elogiar o colega Yeltsin e pedir ao povo para: ter “paciência com as reformas” e “aplaudir o início da retirada da Chechénia”; ainda no seu discurso elogiou a privatização da economia e alertou os russos para o plano de Zyuganov.

4. Após uma sondagem realizada aos agricultores os Marketeers aperceberam-se que o povo ansiava por mais segurança, que “(…)se os comunistas ganham, eles matam os ricos e os ricos contratam gente para matar os comunistas. Estamos cansados de guerra"(…). Sabendo disso lançaram uma campanha televisiva onde se via imagens lúgubres dos massacres bolcheviques de 1917, e um slogan no fim a dizer: "Mantenha a Rússia segura!".

5. As últimas sondagens da campanha, publicadas num jornal, dando conta de que Boris iria perder por uma margem de 20 pontos. Quando na realidade essa sondagem deveria indicar que ganharia por 3 pontos de vantagem.

terça-feira, abril 17, 2007

Aula 18 – Campanhas Negativas On-line

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A maior zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Esta possibilita a disseminação de informação e esta deixa de ser restrita aos jornalistas, estes passam a ser apenas uma, entre as muitas, fontes de informação.A internet é o espaço propício para se lançar boatos e destruir reputações, sendo um meio onde é difícil regulamentar o que é publicado e onde o anonimato ganha força. Este sistema, como qualquer outro que seja desregulamentado oferece possibilidades intermináveis. “É claro que ninguém quer que a Internet seja regulada, mas terá de haver um limite de tolerância, após o qual a FEC (Federal Election Commission) terá de agir para impedir um caos desenfreado”.
A internet veio possibilitar o implodir de informação de todo o tipo, “informação em bruto, sem filtragens e censuras”. Os blogs são os lugares mais comuns onde as pessoas postam as suas opiniões e notícias, e este meio está cada vez mais a ganhar adeptos. A 'blogosfera' como é conhecida já não se limita a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava os mesmos interesses.
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Nesta esfera digital, o mais interessante é que nem sempre as campanhas negativas surgem dos adversários políticos estas “tácticas de guerrilha são acções, na sua maioria, de cidadãos comuns”. O público deixa de ser um mero espectador e começa também ele a envolver-se nas estratégias de campanha, dificultando a distinção entre o que faz parte da campanha política de um partido e o que partiu de esforços individuais.
Este tema tem suscitado tantas movimentações que foi elaborada uma pesquisa, A Mídia e a Esfera Pública, para se perceber como “o uso da internet afecta o comportamento de candidatos, eleitores e a cobertura dos média no processo eleitoral” realizada por Clóvis de Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle do Centro de Altos Estudos da ESPM. Concluíram que a rede teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas.
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Citação/ Link: “Boatos sempre existiram; só que têm hoje outra força com a Internet - onde cada um diz o que lhe apetece, sem se sujeitar às consequências que teria numa publicação impressa”, Francisco Sarfield Cabral
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Em Portugal não é excepção, embora por cá só se tenha recorrido às campanhas negativas nestas últimas eleições, a internet também foi palco desta estratégia.
Vejamos o lead da revista Visão de 3 de Fevereiro de 2005 “Cartazes vandalizados, narizes de palhaço, boatos a circular pela Internet. Assim vai a época pré-eleitoral”, notícia de Sónia Sapage. Onde também se pode ler “(…)Perante o ambiente que se apoderou da fase pré-eleitoral, Pacheco Pereira, no seu blogue O Abrupto, comenta: «O que se passou nos últimos dois dias na campanha do PSD por responsabilidade directa de Santana Lopes, as afirmações baixas nos comícios, o cartaz sub-reptício cheio de insinuações sobre quem é que os portugueses conhecem ou desconhecem (...), levantam a suspeição sobre se não haverá uma campanha organizada de boatos que sirva de pano de fundo a esta guinada de campanha negativa tão pouco habitual em Portugal.» ”.

sábado, abril 07, 2007

Aula 17 - "Dentada Sonora"

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Nos dias que correm os candidatos tentam seduzir, cada vez mais, através da imagem ou do soundbite. Esta técnica de usar uma expressão, frase que chame a atenção do público e dos jornalistas já existe há anos, o exemplo que escolhi mostra muito bem isso.
Martin Luther King, já em 1963, recorreu a esta técnica (embora naquela época os RP ainda não existissem) para fazer valer o seu discurso, a verdade é que a frase “I Have a Dream” ficou retida pelos seus ouvintes, foi notícia em todo o mundo, e atravessou gerações, fronteiras até aos dias de hoje. Quem não conhece esta famosa expressão e quem não sabe os seu significado?



  • Quem é Martin Luther King:

Líder da população negra norte-americana, nasceu em 1929. Liderou o movimento a favor dos direitos civis da América Negra nos anos 50 até ao seu assassinato em 1968. Lutou com coragem e arrojo pelo fim da segregação racial. "Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1964. A 4 de Abril de 1968 foi morto por um atirador quando estava na varanda de um hotel com alguns acompanhantes. Em 1969 a acusação recairia sobre o branco James Earl Ray, que foi condenado a 99 anos de prisão. O Congresso americano votou a favor de um feriado nacional em sua honra, que começou a ser celebrado a partir de 1986 na terceira segunda-feira de Janeiro".


  • Como surgiu a mítica frase “I HAVE A DREAM”:

“I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color
of their skin but by the content of their character.” MLK

Em 1955 uma mulher negra recusa-se a ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco, por esse motivo foi presa por violar a lei da segregação racial. Este acontecimento despoletou a ira dos activistas negros, estes formaram em Montgomery uma associação com o objectivo de boicotar o trânsito e escolheram Luther King para líder. O boicote durou 381 dias e em 1956, o Supremo Tribunal declarou inconstitucional a lei de segregação nos meios de transporte.
Entre 1960 e 1965, a influência de King atingiu o auge. Em 1960 foi preso e o caso assumiu proporções nacionais. A estratégia de liderar um movimento activo mas não violento levou à adesão de muitos negros e de brancos liberais em todas as partes do país, tendo estas acções contado com o apoio da administração Kennedy. Em 1963, mostrou ao mundo a importância de resolver os problemas raciais através de uma marcha pacífica em Washington pelos direitos humanos, em que participaram mais de 200 000 pessoas. Nesse dia proferiu a célebre frase "I HAVE A DREAM" num discurso em que fez uso de frases bíblicas, no qual proferiu o seu sonho de um dia ver brancos e negros juntos (…) ."

“I have a dream that one day this nation will rise up

and live outthe true meaning of its creed: "We hold these

truths to be self-evident, that all men are created equal." MLK

Devido a esta marcha e discurso foi criada a Lei dos Direitos Civis de 1964 (onde é garantida a igualdade de direitos civis) e a Lei dos Direitos de Voto em 1965 (assegura o direito de voto aos de raça negra).



A frase ainda hoje é utilizada em vários países e nas mais diferentes situações alguns exemplos onde foi usada este soundbite:


- Amir Peretz (um líder sindical nascido em Marrocos que dedicou a vida a combater a pobreza, tornou-se líder do Partido Trabalhista de Israel) no seu discurso aos manifestantes que se reuniram no dia 12 para marcar o 10.º aniversário do assassinato de Yitzhak Rabin, pediu um “mapa da estrada moral, cuja estrela guia seja o respeito à dignidade humana”, argumentando que o domínio contínuo de Israel sobre os palestinos estava cobrando um preço moral dos próprios israelenses. (…) “Um mapa da estrada moral é encerrar a ocupação e assinar um acordo permanente”, disse ele, antes de invocar Martin Luther King para declarar que ele também teve um sonho – de que crianças palestinas e israelenses um dia “brincariam juntas e construiriam um futuro comum”. Políticos israelenses já falaram assim antes, é claro”.

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- Por cá: Manuel Alegre fez-se valer desta expressão “(a pretexto do dia 15 de Janeiro, data do seu nascimento, em 1929) de facto, mesmo acreditando que a sua emblemática frase "eu tenho um sonho" mantém a emoção universal, o eleitor poderá sempre interrogar-se sobre a justeza de tão rápido paralelismo entre os EUA em que tal frase foi proferida (a 28 de Agosto de 1963) e o Portugal de 2006. É duvidoso que tamanha simplificação traga dividendos eleitorais. Foi, em todo o caso, um gesto narrativo capaz de contrariar a "neutralidade" ideológica dos nossos tempos. Falava Manuel Alegre das crianças nascidas em Portugal, filhas de pais estrangeiros, a quem não se reconhece o direito à nacionalidade. Curiosamente, o tema seria retomado por Francisco Louçã através de um simbolismo que também se queria ecuménico: uma bola para um jogador de futebol (Deco) que adquiriu a nacionalidade portuguesa, um pião para um menino de 5 anos (Pedro), filho de caboverdianos, que não a pode ter. Moral bem típica do estado geral do nosso universo televisivo: todo o poder aos símbolos, nenhum gosto de realismo”.

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- Sara Marques do Portugal Diário escreve: A campanha eleitoral está na recta final. Foram percorridos muitos quilómetros para realizar comícios e acções de campanha, cheios de discursos ricos em frases que ficarão no ouvido dos eleitores. Com acusações à esquerda e à direita, slogans cativantes e muita ironia à mistura se faz esta campanha eleitoral. (...) A mítica frase «eu tenho um sonho», de Martin Luther King, também foi utilizada nesta «caça ao voto». Santana foi o primeiro e Pires de Lima seguiu-lhe o exemplo. Mas o Bloco não gostou do sonho do vice democrata-cristão e disse que, se fosse concretizado, Portugal seria «uma escola CDS, com uma fotografia de Portas ao lado de um crucifixo»”.

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- Domingos Amaral, Director da revista “Maxmen” escreve: Martin Luther King disse um dia a famosa frase ‘I have a dream’. Eu também tenho um sonho, e acho que Portugal devia ter esse sonho, o sonho de um país “verde e azul”, que implica um novo modelo de crescimento económico, que já não nos faça reféns do petróleo, do betão permanente da construção civil ou das regras do euro, e que permita gerar valor acrescentado novo que nos permita viver melhor. É bom que se dêem passos nesse caminho, como Cavaco fez.