quarta-feira, maio 30, 2007

Aula 23 - O caso Karl Rove

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Exemplo 1:

As declarações que encontrei de Karl Rove provêem da transcrição de uma cassete revelada pelo "Washington Post", a 13 de Março de 2006. Esta conversa é feita entre K. Rove, o Presidente Bush e 4 dos seus conselheiros séniores da Casa Branca.

Não traduzo o texto para que este seja fiel ao original (que se encontra neste
síto), assim sendo também não vou omitir (mais do que já foi omitido) a asneira dita por um dos protagonistas do conteúdo desta cassete.





"KARL ROWE: Mr. President, we need to develop an exit strategy for our forces in Iraq ASAP. Otherwise we'll be caught in the middle of a civil war between the Shiites and the Sunnis.

PRESIDENT BUSH: How do you expect me to break this to the media and the American people after saying we're in this War on Terrorism for the long haul? It'll make me look like I've got no meatballs between my legs.

PAUL WOLFOWITZ: I'm sorry, Mr. President, but all our calculations were five bricks short of a full load. Blame it on the CIA if you have to but I think Vice-President Cheney, Defence Secretary Rumsfeld and I might have watched too many John Wayne movies when we were growing up. It looks like Colin Powell was right. Those Iraqis don't think like Americans after all. They never read the comic books about Sgt. Fury and His Howling Commandos when they were little nippers like we did.

RUMSFELD: If they had of seen the movie, The Bridge on the River Kwai or The Sands of Iowa Jima, I think we'd be in better shape, Mr. President.

PRESIDENT BUSH: So, what your're saying is we bail out and leave all that Iraqi sweet crude behind? What about the pipelines we planned through Afghanistan?

KARL ROWE: We've got to try and set up this puppet regime ASAP and then put on the vanishing cream. Otherwise the GOP is up shit creek without a paddle in 2008. Our deficit has ballooned to $175 trillion with no end in sight. It's a hole we can't dig ourselves out of.

PAUL WOLFOWITZ: That's right, Mr. President. This pre-emptive war business doesn't appear to work with cultures where tribalism is rooted in three thousand years of history. Soomer or later we've got to start thinking about the potholes around the Beltway.

RUMSFELD: We've got enough people to screw in North America without travelling half-way around the world to find people to f*ck over.

CHENEY: Christ, Mr. President ... there's enough quail in America to hunt to last me the rest of my life!

PRESIDENT BUSH: OK, boys. Just remember to pack enough canned beer in Air Force One for when I break the news to those pisstanks in the media. If we can get them drunk enough, perhaps they'll declare me a war hero. Print up a million copies of "When Johnny Jarhead Comes Marching Home" OK?

ROWE, CHENEY, WOLFOWITZ and RUMSFElD (in unison): Hail to the Chief!"

Exemplo 2:

Neste site encontro uma declaração de Rove sobre o caso da agente da CIA.

"MR ROVE: Good afternoon. Thank you for coming. This will be brief. Today, many news organizations are emerging from their summertime journalistic comas to discover months-old indications that yours truly, Karl H. Rove, took personal and illegal revenge upon Joseph A. Wilson – one of President Bush's most prominent detractors – by revealing classified information about his wife being an undercover CIA agent – thereby undermining national security and jeopardizing a life that is apparently of value to a handful of people outside of the White House.
And while I am not at liberty to comment directly on the veracity of these allegations, let me just say that I want Americans to believe that it breaks my heart that anyone could possibly believe that I am so vindictive, ethically bankrupt, and politically vicious as to invite syndicated columnist Bob Novak to a romantic dinner for two at Annie's Paramount Steak House on July 12th at 7pm, then intentionally leak details over an apple dumpling dessert that would endanger the loved ones of my most monomaniacally despised ideological nemeses. That's all I have to say on the matter. Thank you, and good day. "

sábado, maio 26, 2007

Aula 22 - Manobras na Casa Branca





"WHY DOES A DOG WAG IT'S TAIL?
BECAUSE A DOG IS SMARTER THAN IT'S TAIL.
IF THE TAIL WHERE SMARTER, THE TAIL WOULD WAG THE DOG."

Neste filme podemos ver um verdadeiro mestre do Spin Doctor a actuar na política. Algumas das suas "manobras" são iguais ou parecidas com as usadas pelos três marqueteiros do filme "Spinning Boris" (SB), tais como:

1. Os discursos "pré-fabricados" pelo consultor(es), bem como a forma de agir neles. No SB Yeltsin tinha que sorrir e demorar menos tempo a ler, neste filme há uma altura em que se lê no teleponto que o Presidente (ao longo do discurso) tem que tossir e beber água.

2. A tentativa de criar um focus group, com as secretárias, para mostrar ao Presidente que o discurso afinal não é "lamechas". No SB este método era muito usado na campanha.

3. Soundbites e Slogans como: "Courage Mom" e "Old Shoe".
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4. Situações criadas para "iludir" o povo: no SB quando Yeltsin planta uma árvore ou quando mais tarde beija uma criança; aqui quando o Presidente chega ao aeroporto e cumprimenta a albanesa, recebe a oferenda e em troca dá o casaco à avó da rapariga.

sexta-feira, maio 18, 2007

Aula 21-Spin Doctor

Um Spin Doctor é um consultor de comunicação (político ou não) que, normalmente, se encontra na penumbra do seu protagonista. As suas acções vão muito além do simples manipular de informação que é muitas vezes utilizado por um “consultor comum”, ou seja ele não se limita a garantir a informação mais favorável ao seu protagonista ele vai muito mais além, ele cria um novo facto para desviar as atenções quando necessário, ele mente ou distorce a realidade.
Em Portugal este termo ainda é uma novidade mas nos Eua, Inglaterra esta já é uma “cultura” fortemente enraizada, é comum os políticos, governos terem o seu “Spin Doctor”.
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De acordo com Luís Paixão Martins“ nos dias que correm, não há ingenuidade quando se trata de promover a imagem dos governos, parece que a ilusão da transparência é a nova táctica para recredibilizar os “spin doctors”, baixar as defesas dos jornalistas e da opinião pública e conseguir um “spin” mais perfeito, uma encenação mais convincente. Ao negarem o seu próprio papel, os assessores mediáticos e os homens por trás do marketing político lançam-se à conquista do terreno estratégico que têm vindo a perder. Ou seja: criando a ilusão de que pouco interferem na informação e na imagem do governo, os mediadores da comunicação governamental reforçam a eficácia das suas técnicas, pois convencem o público de que o que parece, é. Mas no fundo, como dizia Nick Assinder, o discurso do “no spin” é apenas “another bit of spin from the kings of spin”.





De facto os RP não gostam de ser comparados com os Spin Soctors, preferem mesmo um certo distanciamento dos chamados "lobyistas" políticos.
Vejamos o seguinte quadro onde podemos ver um Spin Doctor e um típico consultor de comunicação em accção. O quadro encontra-se na íntegra no seguinte
sítio.




O spin doctor difere em muito do típico RP, tem que ter um grande leque de contactos (na posição certa), interfere, antecipadamente, na produção de uma notícia. São muito nais hábeis em situações de crise do que um típico consultor.

John Scanlon
é o exemplo de um mestre de Spin Doctor e exímio em resolver crises que tirou pessoas de altos cargos de situações menos favoráveis, tais como: a CBS no caso do Gen William Westmoreland contra a rede, também a companhia de tabaco Brown & Williamson na sua luta pela desacreditação do ex-empregado Jeffrey Wigand e o ex-senador Bob Kerrey durante um recente frenezim dos mass-media sobre uma controverwsa missão no Vietname.

O objectivo de Scanlon é persuadir as "pessoas que não controlam apenas o que é impresso ou falado por aí, mas o que também é sussurrado.” Ele diz: “acredito no poder do boato”. Estas habilidades e conexões dão aos mestres do spin doctor um certo “poder institucional" que se mantém mesmo após a mudança da administração política.

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Podemos ver numa entrevista de Adam Smith a Scanlon, no programa televisivo “Adam Smith’s Money World” o que quer dizer Spin Doctor, ou melhor o que ele faz. Reproduzo de seguida a entrevista que retirei deste site e traduzi da forma mais fiel possível.

Smith: Você foi descrito como um Spin Doctor. O que é um Spin Doctor.
Scanlon: Eu acho que é o que você faz quando tenta fazer "spin" à consciência de um jornalista ou atenção, é fazer com que eles deixem de olhar para o que estavam a olhar e passsam a ver aquilo que você acha que realmente é importante.
Smith: Você serve o seu cliente ou a verdade?
Scanlon: Você serve sempre a verdade. Mas, mais uma vez, a verdade não é muitas vezes, como você sabe, uma verdade absoluta.
Smith: O que quer isso dizer?
Scanlon: O que parece ser a verdade não é necessariamente o caso quando se olha com « olhos de ver », quando a desmontamos e quando a vemos de uma perspectiva diferente.

Em suma, pode-se dizer que um verdadeiro spin doctor é aquele que "vende tudo" que favoreça o protagonista, mas age sembre na sombra deste.

Aula 20-"Sob o Signo da Verdade"

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Regularizar ou não os assessores de comunicação é uma questão que tem dado muito que falar principalmente após o incidente Carrilho vs Cunha Vaz & Associados. O livro de Manuel Maria Carrilho “Sob o Signo da Verdade” veio “iniciar uma discussão, que está longe de ter terminado, sobre as relações entre o jornalismo e as agências de comunicação” e “mais cedo do que tarde, estaremos a discutir, muito em concreto, a «compra do jornalismo”.
De facto é necessário fazer algo para que este tipo de ideias – “tudo se compra” não passe só disso uma infeliz ideia. Como disse Emídio Rangel "há jornalistas que se 'vendem e prostituem na praça pública' e que trabalham com avenças de agências de comunicação que tudo compram".
E isso tem que ter um fim próximo à vista para que a própria reputação dos jornalistas não seja posta em causa.
De facto uma das melhores formas de se evitar este tipo de situações era profissionalizar os assessors de comunicação, e como tal criar uma legislação para estes profissionais.
Para José Manuel Fernandes, Director do Público, “…é frequente ouvir dizer que esta ou aquela notícia foi "comprada"; nunca de tal vi serem produzidas provas. Por outro lado, convencer um jornalista de que uma notícia é importante, quando ela não o é, pode apenas mostrar que o responsável pela agência de comunicação é competente e o jornalista influenciável, ignorante ou preguiçoso …”.
Diz ainda que "não é a imprensa que decide o voto dos cidadãos. O mundo está cheio de políticos que ganharam contra uma imprensa hostil e de políticos que, mesmo "levados ao colo" por muitos jornalistas, foram derrotados nas urnas".

«...mesmo que as mais sérias acusações de Carrilho se revelem infundadas, há algo que não se pode varrer para debaixo do tapete e de que o livro do deputado socialista mostra alguns exemplos: o respeito pelos factos, a equidade de tratamento, a necessidade de confirmar dados e a separação de opinião e informação estão a afastar-se perigosamente da prática jornalística geral, em prol de abordagens definidas por razões comerciais ou imperscrutáveis, que não respeitam a deontologia jornalística. Esse é o problema.» José V. Malheiros

“É justamente para ajudar à transparência do sector que Luís Paixão Martins, director-geral da LPM, está a preparar um código de ética para a disciplina de assessoria mediática, na actividade em conselho e relações públicas.”
Como a própria ERC conclui, está “entre as prioridades da sua acção de regulação, a análise das relações entre o campo jornalístico e os campos político e económico, nas suas diferentes vertentes, entre as quais se incluem questões como o pluralismo e o papel dos promotores de notícias (nomeadamente, das ditas “agências de comunicação”) na informação publicada. Trata-se, no entanto, de um trabalho que requer metodologias e instrumentos de análise que não se improvisam nem flúem ao sabor da actualidade”.
Porém “nada pode fazer esquecer isto: o poder efectivo ou imaginário das agências de comunicação depende da capacidade de os jornalistas serem plenamente autónomos.”

segunda-feira, abril 30, 2007

Aula 19 – “Spinning Boris”

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Neste filme podemos visualizar várias estratégias de comunicação política, levadas a cabo por um trio de Marketeers americanos (George Gorton, Dick Dresner; Joe Shumate) numa campanha de eleição à presidência onde tudo parecia estar perdido.
Quando os assessores dizem à filha de Boris Yeltsin que “tem de depender de promessas e das falhas de outros candidatos”e que “devia começar a atacar o Zyuganov e apresentar-se como alternativa aos comunistas” demonstram claramente que a estratégia passa pelo recurso à campanha negativa. Exemplos disso são:

1. O uso de “PELOTÕES da VERDADE”.

2. Numa cena, após verem uns ex-combatentes a vender as suas medalhas para sobreviverem, George Gorton ao telefone com o colega diz: “Mas talvez as reformas de Yeltsin sejam boas para o futuro dos filhos deles?” E surge o cartaz com o slogan “Votem no Yeltsin para bem dos vossos filhos”. Esse cartaz é colocado estrategicamente à frente do sítio onde os ex-combatentes estavam.

3. O rumor sobre o facto de Zyuganov querer regressar às antigas fronteiras, à economia estatizada e à perseguição impiedosa aos reformistas. Este boato abalaria a campanha política dos comunistas e por isso Gorton diz: “Os russos são paranóicos (…) e por isso temos que divulgar a coisa como o raio, claro”. Para divulgar este facto escolhem Bill Clinton, que na sua visita, estratégica, aproveitou para elogiar o colega Yeltsin e pedir ao povo para: ter “paciência com as reformas” e “aplaudir o início da retirada da Chechénia”; ainda no seu discurso elogiou a privatização da economia e alertou os russos para o plano de Zyuganov.

4. Após uma sondagem realizada aos agricultores os Marketeers aperceberam-se que o povo ansiava por mais segurança, que “(…)se os comunistas ganham, eles matam os ricos e os ricos contratam gente para matar os comunistas. Estamos cansados de guerra"(…). Sabendo disso lançaram uma campanha televisiva onde se via imagens lúgubres dos massacres bolcheviques de 1917, e um slogan no fim a dizer: "Mantenha a Rússia segura!".

5. As últimas sondagens da campanha, publicadas num jornal, dando conta de que Boris iria perder por uma margem de 20 pontos. Quando na realidade essa sondagem deveria indicar que ganharia por 3 pontos de vantagem.

terça-feira, abril 17, 2007

Aula 18 – Campanhas Negativas On-line

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A maior zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Esta possibilita a disseminação de informação e esta deixa de ser restrita aos jornalistas, estes passam a ser apenas uma, entre as muitas, fontes de informação.A internet é o espaço propício para se lançar boatos e destruir reputações, sendo um meio onde é difícil regulamentar o que é publicado e onde o anonimato ganha força. Este sistema, como qualquer outro que seja desregulamentado oferece possibilidades intermináveis. “É claro que ninguém quer que a Internet seja regulada, mas terá de haver um limite de tolerância, após o qual a FEC (Federal Election Commission) terá de agir para impedir um caos desenfreado”.
A internet veio possibilitar o implodir de informação de todo o tipo, “informação em bruto, sem filtragens e censuras”. Os blogs são os lugares mais comuns onde as pessoas postam as suas opiniões e notícias, e este meio está cada vez mais a ganhar adeptos. A 'blogosfera' como é conhecida já não se limita a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava os mesmos interesses.
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Nesta esfera digital, o mais interessante é que nem sempre as campanhas negativas surgem dos adversários políticos estas “tácticas de guerrilha são acções, na sua maioria, de cidadãos comuns”. O público deixa de ser um mero espectador e começa também ele a envolver-se nas estratégias de campanha, dificultando a distinção entre o que faz parte da campanha política de um partido e o que partiu de esforços individuais.
Este tema tem suscitado tantas movimentações que foi elaborada uma pesquisa, A Mídia e a Esfera Pública, para se perceber como “o uso da internet afecta o comportamento de candidatos, eleitores e a cobertura dos média no processo eleitoral” realizada por Clóvis de Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle do Centro de Altos Estudos da ESPM. Concluíram que a rede teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas.
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Citação/ Link: “Boatos sempre existiram; só que têm hoje outra força com a Internet - onde cada um diz o que lhe apetece, sem se sujeitar às consequências que teria numa publicação impressa”, Francisco Sarfield Cabral
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Em Portugal não é excepção, embora por cá só se tenha recorrido às campanhas negativas nestas últimas eleições, a internet também foi palco desta estratégia.
Vejamos o lead da revista Visão de 3 de Fevereiro de 2005 “Cartazes vandalizados, narizes de palhaço, boatos a circular pela Internet. Assim vai a época pré-eleitoral”, notícia de Sónia Sapage. Onde também se pode ler “(…)Perante o ambiente que se apoderou da fase pré-eleitoral, Pacheco Pereira, no seu blogue O Abrupto, comenta: «O que se passou nos últimos dois dias na campanha do PSD por responsabilidade directa de Santana Lopes, as afirmações baixas nos comícios, o cartaz sub-reptício cheio de insinuações sobre quem é que os portugueses conhecem ou desconhecem (...), levantam a suspeição sobre se não haverá uma campanha organizada de boatos que sirva de pano de fundo a esta guinada de campanha negativa tão pouco habitual em Portugal.» ”.

sábado, abril 07, 2007

Aula 17 - "Dentada Sonora"

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Nos dias que correm os candidatos tentam seduzir, cada vez mais, através da imagem ou do soundbite. Esta técnica de usar uma expressão, frase que chame a atenção do público e dos jornalistas já existe há anos, o exemplo que escolhi mostra muito bem isso.
Martin Luther King, já em 1963, recorreu a esta técnica (embora naquela época os RP ainda não existissem) para fazer valer o seu discurso, a verdade é que a frase “I Have a Dream” ficou retida pelos seus ouvintes, foi notícia em todo o mundo, e atravessou gerações, fronteiras até aos dias de hoje. Quem não conhece esta famosa expressão e quem não sabe os seu significado?



  • Quem é Martin Luther King:

Líder da população negra norte-americana, nasceu em 1929. Liderou o movimento a favor dos direitos civis da América Negra nos anos 50 até ao seu assassinato em 1968. Lutou com coragem e arrojo pelo fim da segregação racial. "Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1964. A 4 de Abril de 1968 foi morto por um atirador quando estava na varanda de um hotel com alguns acompanhantes. Em 1969 a acusação recairia sobre o branco James Earl Ray, que foi condenado a 99 anos de prisão. O Congresso americano votou a favor de um feriado nacional em sua honra, que começou a ser celebrado a partir de 1986 na terceira segunda-feira de Janeiro".


  • Como surgiu a mítica frase “I HAVE A DREAM”:

“I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color
of their skin but by the content of their character.” MLK

Em 1955 uma mulher negra recusa-se a ceder o seu lugar no autocarro a um passageiro branco, por esse motivo foi presa por violar a lei da segregação racial. Este acontecimento despoletou a ira dos activistas negros, estes formaram em Montgomery uma associação com o objectivo de boicotar o trânsito e escolheram Luther King para líder. O boicote durou 381 dias e em 1956, o Supremo Tribunal declarou inconstitucional a lei de segregação nos meios de transporte.
Entre 1960 e 1965, a influência de King atingiu o auge. Em 1960 foi preso e o caso assumiu proporções nacionais. A estratégia de liderar um movimento activo mas não violento levou à adesão de muitos negros e de brancos liberais em todas as partes do país, tendo estas acções contado com o apoio da administração Kennedy. Em 1963, mostrou ao mundo a importância de resolver os problemas raciais através de uma marcha pacífica em Washington pelos direitos humanos, em que participaram mais de 200 000 pessoas. Nesse dia proferiu a célebre frase "I HAVE A DREAM" num discurso em que fez uso de frases bíblicas, no qual proferiu o seu sonho de um dia ver brancos e negros juntos (…) ."

“I have a dream that one day this nation will rise up

and live outthe true meaning of its creed: "We hold these

truths to be self-evident, that all men are created equal." MLK

Devido a esta marcha e discurso foi criada a Lei dos Direitos Civis de 1964 (onde é garantida a igualdade de direitos civis) e a Lei dos Direitos de Voto em 1965 (assegura o direito de voto aos de raça negra).



A frase ainda hoje é utilizada em vários países e nas mais diferentes situações alguns exemplos onde foi usada este soundbite:


- Amir Peretz (um líder sindical nascido em Marrocos que dedicou a vida a combater a pobreza, tornou-se líder do Partido Trabalhista de Israel) no seu discurso aos manifestantes que se reuniram no dia 12 para marcar o 10.º aniversário do assassinato de Yitzhak Rabin, pediu um “mapa da estrada moral, cuja estrela guia seja o respeito à dignidade humana”, argumentando que o domínio contínuo de Israel sobre os palestinos estava cobrando um preço moral dos próprios israelenses. (…) “Um mapa da estrada moral é encerrar a ocupação e assinar um acordo permanente”, disse ele, antes de invocar Martin Luther King para declarar que ele também teve um sonho – de que crianças palestinas e israelenses um dia “brincariam juntas e construiriam um futuro comum”. Políticos israelenses já falaram assim antes, é claro”.

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- Por cá: Manuel Alegre fez-se valer desta expressão “(a pretexto do dia 15 de Janeiro, data do seu nascimento, em 1929) de facto, mesmo acreditando que a sua emblemática frase "eu tenho um sonho" mantém a emoção universal, o eleitor poderá sempre interrogar-se sobre a justeza de tão rápido paralelismo entre os EUA em que tal frase foi proferida (a 28 de Agosto de 1963) e o Portugal de 2006. É duvidoso que tamanha simplificação traga dividendos eleitorais. Foi, em todo o caso, um gesto narrativo capaz de contrariar a "neutralidade" ideológica dos nossos tempos. Falava Manuel Alegre das crianças nascidas em Portugal, filhas de pais estrangeiros, a quem não se reconhece o direito à nacionalidade. Curiosamente, o tema seria retomado por Francisco Louçã através de um simbolismo que também se queria ecuménico: uma bola para um jogador de futebol (Deco) que adquiriu a nacionalidade portuguesa, um pião para um menino de 5 anos (Pedro), filho de caboverdianos, que não a pode ter. Moral bem típica do estado geral do nosso universo televisivo: todo o poder aos símbolos, nenhum gosto de realismo”.

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- Sara Marques do Portugal Diário escreve: A campanha eleitoral está na recta final. Foram percorridos muitos quilómetros para realizar comícios e acções de campanha, cheios de discursos ricos em frases que ficarão no ouvido dos eleitores. Com acusações à esquerda e à direita, slogans cativantes e muita ironia à mistura se faz esta campanha eleitoral. (...) A mítica frase «eu tenho um sonho», de Martin Luther King, também foi utilizada nesta «caça ao voto». Santana foi o primeiro e Pires de Lima seguiu-lhe o exemplo. Mas o Bloco não gostou do sonho do vice democrata-cristão e disse que, se fosse concretizado, Portugal seria «uma escola CDS, com uma fotografia de Portas ao lado de um crucifixo»”.

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- Domingos Amaral, Director da revista “Maxmen” escreve: Martin Luther King disse um dia a famosa frase ‘I have a dream’. Eu também tenho um sonho, e acho que Portugal devia ter esse sonho, o sonho de um país “verde e azul”, que implica um novo modelo de crescimento económico, que já não nos faça reféns do petróleo, do betão permanente da construção civil ou das regras do euro, e que permita gerar valor acrescentado novo que nos permita viver melhor. É bom que se dêem passos nesse caminho, como Cavaco fez.

terça-feira, março 27, 2007

Aula 16 – Estamos perante factos ou pseudo-acontecimentos?

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Custódio Oliveira, ex-assessor de Fernando Gomes

em conversa com o Prof. João Paulo Meneses, no ISLA- Gaia.

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Custódio Oliveira deu um exemplo claro de pseudo-acontecimento aquando da polémica da construção do Shopping Cidade do Porto (Bom Sucesso).
Isto tudo aconteceu por volta de 1990, Custódio Oliveira era Assessor do Presidente da Câmara do Porto e deparou-se com uma grave crise que poderia abalar a imagem de Fernando Gomes – o “bloco de cimento” do Shopping Cidade do Porto.
Os media não paravam de criticar esta obra tornando a situação insustentável, era necessário uma solução. Como o próprio ex-Assessor disse, esta foi uma estratégia de comunicação de crise, onde foi criado um pseudo-acontecimento que tinha como finalidade desviar a atenção dos jornalistas e público para um outro caso – o do Parque da Cidade (uma vez que os media orientam a opinião pública e o público só fala dos assuntos de que falam os media).

Citação/link: “Os media interferem na actividade dos governos, marcam a agenda, colocando os políticos sobre pressão constante e obrigando-os a tratar com urgência determinadas questões (…)”Estrela Serrano

O Parque da Cidade estava em discussão devido à grande avenida que o iria atravessar, inviabilizando a possibilidade de se criar um grande Espaço Verde. Fernando Gomes aproveitou-se dessa situação para “brilhar”. O Presidente reuniu-se com várias pessoas, entre elas arquitectos onde decidiram que já não haveria uma avenida no meio do Parque, este seria sim o maior parque a ser construído na Europa. Esta decisão atraiu instantaneamente a atenção dos jornalistas que não tardaram em esquecer o assunto do Bom Sucesso.

“O Parque da cidade é filho do buraco

do Bom Sucesso”, Custódio Oliveira.


De acordo com Custódio Oliveira foram criados dezenas de actos de comunicação e chegaram a alugar um helicóptero da Força Aérea para mostrar as zonas verdes aos Jornalistas, o que a meu ver também pode ser considerado como uma estratégia para influenciar o que é escrito pelos jornalistas é chamado de “jornalismo de pacote” – selecciona-se um grupo jornalistas que acompanha o Presidente e onde “se alimentam dos mesmos relatórios das pools, dos mesmos press releases, dos mesmos discursos do candidato”. Embora se adeqúe mais às campanhas políticas eu diria que se aplica aqui porque todos os que foram naquele helicóptero tiveram a mesma visão sobre o mesmo facto, estiveram sob influência directa do Presidente e numa viagem por todos os espaços verdes acaba por “construir” uma ideia geral sobre o mesmo assunto, isto é, aqueles que ainda desconfiavam acabavam por moldar a sua opinião aos factos apresentados.

O Ex-Assessor referiu ainda que se não fosse o caso do Shopping Cidade do Porto não existiria o Parque da Cidade como hoje o conhecemos, talvez se tivesse convertido numa avenida com moradias em seu redor.

“ As estratégias de comunicação política passam, cada vez mais, pelo recurso à criação de acontecimentos destinados a atrair os jornalistas para “terrenos” em que os promotores possuem uma capacidade de controle e de influência, superior ou distinta, da estabelecida habitualmente entre fontes e jornalistas” Estrela Serrano.

terça-feira, março 20, 2007

Aula 15 - Manipulação em Marcha! ACT DE ASPAS

É constante na vida de um jornalista ser “alvo” de notícias que não se ficam por uma simples notícia envolvem muito mais. Isto é, muitas das notícias que chegam aos jornalistas foram de tal forma elaboradas para que estes não vejam a “verdadeira” notícia, o "facto-político" é exemplo disso.
Esta é a nossa realidade, ora vejamos 5 exemplos:

1. "No rescaldo da suspensão de Benny McCarthy por dois jogos, Pinto da Costa começou por acusar o Sporting de ter tentado criar um
"facto político", ou seja, esconder a derrota nas Antas com a lesão de Beto, motivada pela agressão do sul-africano.Para o presidente portista, é surreal o Sporting tentar vencer nas Antas, após vender constantemente os melhores jogadores jovens e quanto ao castigo aplicado mostra-se pouco surpreso pelas acções anteriores do Conselho de Disciplina da Liga".

2. "(...)um dos artifícios sobre o qual dispensamos alguns momentos de prosa tem a ver com a "criação do facto político". Pois é... uma "técnica" que pode servir para desviar as atenções ou preparar o terreno para algo. Ontem à noite, no programa televisivo "Prós e Contras", um ministro falou sem papas na língua sobre a (in)sustentabilidade do sistema de reformas da segurança social. Propositadamente... ou talvez não (se fosse outro ministro, não acreditava em ingenuidade), a verdade é que hoje a Segurança Social esteve na ordem do dia dos meios de comunicação social, nas diferentes campanhas presidenciais e, por arrasto (como sempre acontece), na boca do povo. Provavelmente, se tivesse ocorrido um grande desastre natural ou um atentado terrorista, as palavras do ministro tinham passado despercebidas".




3. "Na senda dos Verdes, que oportuna e inteligentemente questionaram a legitimidade de Nobre Guedes para ser ministro, Francisco Louçã tentou hoje criar um "facto político" por ter descoberto que um secretário de Estado veio directamente do mundo privado para o Governo. Mas fez mal. «Já tínhamos um ministro do Grupo Mello, agora temos um secretário de Estado da Associação Nacional de Farmácias». E então? Teremos de ter governantes vindos do desemprego? Têm de ser todos académicos? Ou terão de ser políticos carreiristas que nunca provaram nada no mundo real? Não tem cabimento. O mais engraçado é que até o líder parlamentar do PCP, velho amigo da «democracia» da Coreia do Norte, se lembrou de dizer que o que importa é «a ética política». Como é evidente".



4. "
Agora, este incidente, ou este acontecimento, ou este "facto político", que certamente terá em termos mediáticos apagado por exemplo a infâmia do Aveiro-Basket e ou outras coisas que tais. Eu queria lembrar ao senhor presidente uma coisa: é que quando corre bem, para a câmara e para o senhor presidente é muito bom – e tem uma grande capacidade - quando corre mal, todos temos que nos mexer, todos temos que andar, todos temos de trabalhar!?"

5. “ Um outro facto, ao invés, mereceu uma atenção mediática inversamente proporcional à sua mais valia nacional. Ao atacar Maria José Morgado, Paulo Portas visou criar um "facto político"com dois objectivos dar corpo ao levantamento interno contra Ribeiro e Castro, provando que com o estalar de um dedo consegue fazer virar para si todos holofotes; dar continuidade à sua antiga urticária contra uma mulher afastada do combate ao crime durante os tempos em que co-governava (?) o país. O ataque nada tinha, portanto, a ver com o que era enunciado já que Portas bem sabe que a cidadania ainda não morreu e nem só quem colabora com o CDS tem direito ao bom nome em Portugal.” Honório, Novo, Deputado , do PCP


Aula 14 - Consultora de Comunicação

Público-alvo: Todos os habitantes de Nogueira (perto de Bragança)

Ideias-Chave: O Homem por detrás de tanto sucesso
Finalmente vamos conhecer o Homem que está a enfrentar a McDonalds
Quando um sonho se torna realidade

Meios: Divulgar em todos os jornais da terra uma notícia onde dá conta de como alcançou o sucesso.
Criar um site prórpio na Internet
Durante um mês dar a possibilidade a todos os que desejarem conhecer o interior das suas lojas.

sábado, janeiro 20, 2007

Aula 11 – Mas afinal quem informa o mundo?


Esta questão foi levantada há uns anos atrás quando Manuel Maria Carrilho no seu livro Sob o Signo da Verdade acusou uma agência de comunicação de renome – Cunha Vaz & Associados – de lhe ter oferecido os seus serviços (estes incluíam a compra de jornalistas, aquando da sua corrida à presidência da Câmara de Lisboa. Com esta acusação surgiram novas questões como: Que papel têm estas empresas que contactam todos os dias com os jornalistas? São "as" novas fontes? Influenciam os jornalistas a ponto de os comprar? Como é feita essa gestão de interesses contraditórios?

Este facto ganhou “corpo” quando Vasco Ribeiro ao realizar a sua tese de mestrado verificou, num estudo que fez a quatro jornais nacionais, que a maioria das notícias publicadas não derivavam dos jornalistas mas sim de agências, assessorias e gabinetes de informação também chamadas de “fontes organizadas de informação”.
Este estudo só
“confirma uma perigosa tendência dos órgãos de Comunicação Social para se converterem em «receptores passivos» de informação, abandonando progressivamente a sua vocação de mediadores directos entre as fontes noticiosas e os seus leitores”.

E não é que é mesmo assim. Vejamos o jornalista, hoje em dia, recorre muito a estas agências de informação para obter uma notícia e sabendo isso estas têm evoluído na sua forma de redacção dos comunicados para que estes se assemelhem a notícias ou são mesmo notícias disfarçadas de comunicado, tal como o autor da tese diz
“a assessoria de imprensa tem vindo, progressivamente, a apurar as suas técnicas e ferramentas de trabalho".Por isso a maioria dos assessores são ex-jornalistas, quem melhor do que eles para perceber como funciona este mundo? As notícias são criadas de modo a achar “algo adequado para cada jornal ou revista que quer que se publique a história” (in, Lloyd, Herbert; Lloyd, Peter, Relações Públicas – As técnicas de comunicação no desenvolvimento da empresa, 1988, Presença, Lisboa, p. 129).
O problema é que ao contrário da imprensa as agências têm vindo a adaptar-se às alterações nos jornais e fazem-no de forma mais rápida, por isso os jornalistas são um alvo vulnerável a estas artimanhas das “fontes sofisticadas”.



Ambos têm o mesmo interesse o de publicar uma notícia por isso o jornalista pode ter como fonte de informação um assessor mas “jamais deve assumir como inquestionável o material informativo que recebe das suas mãos (…), a matéria informativa recebida pelo jornalista pode e se calhar deve ser confirmada junto das fontes estranhas ao primeiro «informador»”, in Lampreia,J. Martins, A assessoria de imprensa nas Relações Públicas, 1999, Europa América, Mem Martins, p. 67).

Então está ou não o jornalista nas mãos do assessor?

Se tivermos como certo que a função de um jornalista é um “
simples técnico de comunicação, um transmissor de mensagens pretensamente neutro e objectivo, cuja tarefa se reduz à intermediação passiva entre as fontes (dominadas por quem tem o poder de produzir informação) e as audiências, obedecendo aos conteúdos e aos formatos ditados pelo mercado”. Então os cerca de 60% existem porque é essa a função do jornalista.
Mas se pelo contrário o jornalista for visto como um
“profissional consciente do seu poder (real e potencial) e disposto a usá-lo bem, que se distingue do mero transmissor de mensagens não porque mistura a opinião com a informação ou se desdobra num protagonismo que o coloca no centro da notícia, mas porque procura seleccionar, enquadrar e apresentar a informação de modo a que esta constitua factor de enriquecimento e de reflexão, entendida como um bem social e não como um produto comercial”. Ao reconhecer e valorizar a responsabilidade a que a profissão lhe exige irá contribuir para que se criem condições capazes de transformar o jornalismo e a informação, assim talvez se consiga alterar esta realidade e o jornalista deixe de estar nas mãos do assessor.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Aula 10 - Vai e vem ou Vai e Não Voltes?

Nos dias que correm, um jornalista pode, sempre que o entender, ser assessor de um político (por exemplo) e no dia seguinte voltar a exercer o cargo de jornalista voltando a trabalhar nas temáticas relacionadas com o seu cargo anterior (Ver neste link um caso real deste vai-e-vem). Isto acontece porque as Relações Públicas não estão regulamentadas no nosso país, logo não há impedimentos a este tipo de comportamento.
Este vai-e-vem suscita muitas questões do ponto de vista ético.
Citação/Link: “Há que ter a coragem necessária paradeclarar a tolerância zero para esta promiscuidade permanente entre o jornalismo e uma qualquer central de informação, seja ela governamental, da publicidade ou outra”, José Mário Costa, Jornalista.

Esta nova proposta de lei do Estatuto do Jornalista levanta a questão de que ele pode não estar a trabalhar na área mas pode fornecer dados a um colega para que este faça o trabalho no seu lugar, assim nunca teria contacto directo com a área que trabalhava anteriormente ao ser assessor.
O jornalista embora
deixe de exercer o seu cargo por 6 meses nesse curto espaço de tempo não irá perder todos os seus contactos, no entanto será que se se alargasse o período de nojo teria melhores resultados?
No meu entender só faria sentido se o jornalista
nunca voltasse para a mesma área que trabalhava anteriormente. No entanto isto não implica que o jornalista seja isento e não dê informação aos colegas de profissão, mas sempre era um maior entrave a uma ligação mais directa com o assunto em si, já envolvia uma confiança do protagonista no outro jornalista que não o seu ex-assessor.
"Por que motivo recorrem os governos a jornalistas para funções que, à primeira vista, seriam destinadas a especialistas em comunicação institucional, publicidade ou marketing politico? A questão não apela a grandes divagações teóricas: os jornalistas estão, naturalmente, inseridos na rede comunitária das amizades e cumplicidades das redacções. Com maior facilidade abrem portas fechadas a intrusos ou vencem resistências à aceitação das agendas governamentais"-Mário Mesquita, A receita holandesa para ‘jornalistas no Governo’, Público, 7 de Novembro de 2004.
O próprio público também não vê de bons olhos esta situação, pois quem garante que a notícia que saiu num jornal se deve a esta empresa ter no seu leque de trabalhadores um ex-assessor de um partido político ou de um clube de futebol e como tal irá favorecer ou não de acordo com a vontade do protagonista em questão.
“Quando os meios perdem a credibilidade,
que é a sua principal arma,
perdem a confiança do público”. Ignacio Ramonet

Outro factor a ter em conta é que, com a presente lei ou com a nova proposta, o jornalista pode a qualquer altura “saltar” de um lado para o outro sem muitas preocupações. Sempre que achar que precisa de mais uns trocos lá vai o jornalista fazer de assessor. A vida não está fácil!
Se pelo contrário a lei previsse que o jornalista que se tornar assessor nunca mais exerça o cargo anterior iria contribuir para uma maior distinção entre as profissões, sem contar que os jornalistas iriam pensar muito bem se realmente queriam abandonar o actual cargo e passar a serem assessores para toda a vida. Isto com certeza traria inúmeras vantagens no que respeita a isenção pois uma vez assessor sempre assessor e a informação já não seria espalhada a não ser que tivesse real valor para o protagonista.
Sem contar que um licenciado em RP já poderia
exercer o seu cargo sem temer que este fosse "roubado" por um jornalista.