domingo, dezembro 17, 2006

Aula 9 - Sábia decisão de Aznar ou talvez não! ACT


A 11 de Março de 2004 o partido de Aznar viu-se no meio de uma crise que colocaria a sua re-eleição em risco. Esta data ficou marcada pelos atentados ocorridos nas estações madrilenas. Tendo em conta os acontecimentos iniciou uma campanha de gestão de crise, divulgando para todo o país que o autor deste acidente era a ETA e não a Al-Qaeda. No entanto não conseguiu minimizar os estragos e acabou por perder as eleições para Zapatero. (ACT)



Verifiquei em alguns sites que li que as pessoas têm a noção que Aznar cometeu o “erro” de acusar a ETA antes de tomar conhecimento de todos os dados disponíveis e que mal teve acesso a esses dados veio desmentir a acusação face à ETA. Será? Vamos ter em atenção os seguintes factos:

-A campanha eleitoral do PP centrava-se numa espécie de nacionalismo espanhol centrista e uma luta contra os diferentes nacionalismos autónomos, tais como a ETA.
- Aznar apoiava, sem o apoio dos espanhóis, George W. Bush na sua campanha anti-Al-Qaeda e de luta contra o terrorismo.

Se pensarmos bem seria melhor para a sua campanha atribuir o crime à ETA ou admitir a possibilidade de que este atentado seja fruto da ligação do PP com os EUA?
Se todos acreditassem que a culpa dos atentados era de Al-Qaeda o governo de Aznar sairia enfraquecido devido à sua política de aproximação com Washington. O povo espanhol culparia indirectamente Aznar e o PP pelo sucedido.
A catástrofe seria ainda maior pois fortaleceria os socialistas, que sempre foram contra esta aproximação de Espanha e EUA e não aprovavam o combate anti-terrorista levado a cabo pela Casa Branca. Culpar a ETA era o caminho mais fácil pois esta era uma ameaça que Aznar sempre dizia ser necessário combater.
Tendo sempre em mente que tragédias deste tipo costumam beneficiar quem está no poder a decisão foi sábia porque iria dar razão às suas decisões de nunca ficar de braços cruzados perante a escalada do terrorismo, e nada melhor que um atentado de grande envergadura para dar consistência à tese.


O problema desta decisão encabeçada pelo dirigente do partido PP é que não resolveu de todo a crise. De facto conseguiu controlar as notícias que estavam a ser publicadas em Espanha mas não no resto do mundo.
As mensagens via telemóvel, e-mail e muitos blogs davam conta de que os verdadeiros autores dos atentados de Madrid eram a AlQaeda. Aznar continuava a insistir na ETA até que esta faz saber através de um comunicado que não era a autora e por outro lado a AlQaeda dá-se como autora dos atentados. Face isto os espanhóis vêm-se enganados e, embora as últimas sondagens dessem o PP como vencedor eleitoral, elegem o PSOE de Zapatero. (ACT)

Links Consultados: (ACT)

http://intermezzo-weblog.blogspot.com/2004/06/redes-autnomas-de-comunicao-ainda-que.html

http://dn.sapo.pt/2004/11/29/internacional/comissao_sobre_o_de_marco_ouvir_jose.html

http://www.ujs.org.br/2006/mar/20mar_10.asp

http://www.infojus.com.br/webnews/noticia.php?id_noticia=2123&

http://www.lainsignia.org/2004/abril/ibe_016.htm

http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=110721

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Aula 8 - Press Release

Aqui está o site que criei para o Press Release:

http://br.geocities.com/blondguita/pressrelease.html?1166108874294

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terça-feira, dezembro 05, 2006

Aula 7 - Jornalismo vs Assessoria ou Informação vs "Disparate" ACTII



A
assessoria tem como principal objectivo transmitir (intermediar) a mensagem da empresa/pessoa para o jornalista.
Alguns pesquisadores entendem que os interesses entre jornalistas e assessores são inconciliáveis e os colocam em campos opostos – Jornalistas e assessores possuem funções e interesses distintos na sociedade e ocupam lugares opostos dentro do processo de produção da notícia. Outros acreditam na convivência pacífica ou mesmo na confluência de interesses entre as identidades por meio de um processo de hibridação das profissões de assessor e jornalista – Jornalistas e assessores estão dentro de um mesmo processo produtivo noticiosa e compartilham de valores e interesses comuns. ACT

Citação/link: As agências e os assessores são, também, bloqueio à informação (…) o seu objectivo é maximizar a informação positiva e minimizar a negativa (…)” - Vitor Gonçalves, jornalista da RTP. ACT

A difícil relação entre Assessor e Jornalista prende-se com o facto de que os assessores tentam de tudo para conseguir fazer passar a sua mensagem para os órgãos de comunicação, recorrendo muitas vezes a meios escusos que só fazem aumentar o conflito entre ambos. “Eles se valem de estratégias sofisticadas e de muita verba para levar material de imprensa a jornalistas, para que eles o ‘comprem’, isto é, o desenvolvam e publiquem” (Marcondes Filho, Ciro. Comunicação & Jornalismo - A Saga dos Cães Perdidos. São Paulo, Hacker Editores, 2000.).

“…o assessor de imprensa só é responsável pela verdade na medida em que esta se harmoniza com a concepção que o empregador tem dos próprios interesses” (Walter Lippmann ‘Esterótipos’ e ‘A natureza da notícia’. In
STEINBERG (Org.) Meios de Comunicação de Massa. São Paulo,Cultrix, 1970 pp. 149-159 e 186-198)

O confronto entre jornalista e assessor é prejudicial à midia, à sociedade e à própria classe. O jornalista precisa constantemente de um ror de informação que possa servir de auxílio para a cobertura de um evento, os assessores garantem essa informação e facilitam o acesso ao assessorado. Pode-se dizer que o jornalista já não detém o monopólio de produção de informação que passa a ser mediada por outras instituições."As assessorias representam um interesse. Nem sempre esse interesse é espúrio. Há factos noticiosos que passam pelas mãos dos assessores. Depender unicamente desses factos, ou tornar assessores fontes permanentes de informação, isso é uma deformação profissional. Rejeitar ideologicamente as assessorias (que são um fenómeno típico do capitalismo) é besteira. Elas existem, estão aí. Cumpre saber lidar com elas sem se vender.", diz JB Medeiros.

Importa, finalmente, lembrar que é do direito do público a uma informação isenta, rigorosa e independente que procede o conjunto dos deveres e dos direitos do jornalista. Estrela Serrano


O caso que se segue explica bem este conflito:

Governo espanhol tentou manipular media -Falta de transparência na gestão de informação sobre os atentados por parte do governo terá prejudicado PP nas eleições de domingo.


Os meios de comunicação social espanhóis sentiram-se usados pelo governo. O executivo de José Maria Aznar insistiu na hipótese dos atentados serem da autoria da ETA. Os media e a população condenam a pressão exercida pelo governo(...). Richard Charles Zimler, professor na Universidade do Porto recorda que sempre houve “um conflito entre o que o governo quer que se saiba e o que a imprensa quer divulgar” mas diz que é “a favor da publicação de 100% das informações” (...).

O governo insistiu na hipotese ETA junto dos media

Quinta-feira, Aznar terá confirmado ao “El Periodico” a autoria dos atentados como sendo da ETA. Segundo, António Franco, o director daquele jornal espanhol (citado pelo Diário de Notícias), Aznar assegurou: “Não podes ter qualquer dúvida, foi a ETA”. O “El Periodico” saiu com a manchete “O 11-M da ETA”. António Franco disse ao DN estar “convencido de que o presidente do governo do meu país era incapaz, em exercicio do seu cargo, de me dar garantias sobre um assunto sem delas ter a certeza”. Mais tarde, Aznar pediu desculpas ao jornal mas a manchete já estava nas bancas.Richard Zimler diz que “os ministros espanhóis desde o inicio colocaram a hipotese da Eta como a mais forte” (...).

Censura Interna. Comité da EFE pede demissão do director

Os jornalistas da agência EFE souberam, na manhã dos atentados, da existência de um telemóvel com as configurações em árabe, do resgate de uma carrinha em Alcala de Henares e que um dos mortos era um dos terroristas que perpetraram o atentado. Mas a difusão de informações sobre a eventual ligação dos atentados ao terrorismo radical islâmico foi proibida. Os jornalistas exigem a demissão do director de informação da EFE, Miguel Platón, que terá estado na origem da censura. De acordo com o
El Mundo, aos jornalistas também terá sido proibida a difusão de declarações dos líderes da oposição política espanhola. A direcção da cadeia pública espanhola escuda-se no facto de sempre ter difundido informação proveniente de fontes oficiais. Ainda segundo o El Mundo, a EFE acusa os jornalistas de difamação e pediu já o apoio à Associação de Imprensa de Madrid.


Links consultados: